Penalidades

Cassação de aposentadoria é constitucional?


5 min de leitura · Dr. Wesley Fantini

Revisado por Dr. Wesley Fantini (OAB/GO 21.846) · 15/06/2026

A cassação de aposentadoria assusta — e é natural questionar: "podem mesmo me tirar a aposentadoria que eu contribuí a vida toda?". A resposta da jurisprudência atual é que sim, a cassação é constitucional: o STF tem reconhecido a validade do art. 134 da Lei 8.112/90. Mas o tema gera debate — e, sobretudo, a defesa continua sendo decisiva.

O que diz a jurisprudência

A Lei 8.112/90 (art. 134) prevê a cassação da aposentadoria quando o servidor, ainda na ativa, praticou falta punível com demissão. O STF tem reconhecido a constitucionalidade dessa previsão: a lógica é que a aposentadoria não pode blindar o servidor de uma falta grave cometida quando estava trabalhando.

Ou seja, o argumento de que "a cassação é inconstitucional por si só" não costuma prosperar hoje.

O debate que existe

Há, porém, discussão doutrinária relevante:

  • o caráter contributivo da aposentadoria (o servidor contribuiu por anos);
  • a proporcionalidade de retirar integralmente o benefício;
  • a situação de quem já está idoso e sem capacidade de trabalho.

Esses pontos, isoladamente, não costumam afastar a cassação na jurisprudência — mas alimentam a discussão sobre proporcionalidade no caso concreto.

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Onde a defesa realmente atua

Mesmo sendo constitucional, a cassação só é válida com processo regular. A defesa pode (e deve) atacar:

  • a prescrição (fatos antigos podem estar prescritos);
  • nulidades do processo (comissão irregular, cerceamento de defesa);
  • a falta de prova da infração grave;
  • a desproporcionalidade da pena.

Cada um desses pontos pode reverter ou afastar a cassação — independentemente da discussão constitucional.

Vale destacar a prescrição com um dado concreto: na regra federal (Lei 8.112/90, art. 142), a infração punível com cassação de aposentadoria prescreve em 5 anos, contados de quando o fato se tornou conhecido. Como a cassação costuma alcançar fatos cometidos na ativa — às vezes muitos anos antes —, esse prazo é, na prática, uma das primeiras teses a verificar.

Tese de defesaBase (Lei 8.112/90)
Prescrição (cassação = falta punível com demissão)5 anos — art. 142
Comissão irregular (membros não estáveis)3 servidores estáveis — art. 149
Cerceamento de defesa / falta de intimaçãoampla defesa — art. 161
Penalidade desproporcional ou imotivadaproporcionalidade e motivação obrigatórias — art. 128

A tese mais específica: a falta era mesmo "demissível"?

Há um detalhe da própria lei que costuma passar despercebido e abre uma defesa forte. Pela Lei 8.112/90 (art. 134), a cassação só é cabível quando a falta cometida na ativa seria punível com demissão. Ou seja, a cassação não serve para qualquer irregularidade — ela depende de a conduta se enquadrar numa hipótese de demissão.

Disso decorre uma linha de defesa concreta: discutir o enquadramento. Se a conduta apurada, na verdade, corresponderia a uma penalidade mais branda (advertência ou suspensão), falta o pressuposto da cassação. Atacar o enquadramento — mostrando que o fato não era demissível — pode afastar a penalidade máxima mesmo quando o fato em si é reconhecido.

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A 8.112/90 é federal; estados e municípios têm estatutos próprios. Confirme o seu. Veja o hub de aposentadoria e disciplina e cassação de aposentadoria.

O que fazer

Não pare no debate constitucional: o caminho prático é uma defesa técnica focada em prescrição, nulidades, prova e proporcionalidade. Veja o guia completo do PAD.

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Perguntas frequentes

Cassar a aposentadoria é constitucional?

O STF tem reconhecido a constitucionalidade da cassação de aposentadoria prevista na Lei 8.112/90 (art. 134), entendendo que ela não fere o caráter da aposentadoria quando a falta, cometida na ativa, seria punível com demissão. Ainda assim, é tema que gera debate doutrinário.

Qual o principal argumento contra a cassação?

O argumento mais citado é o caráter contributivo da aposentadoria (o servidor contribuiu por anos) e a proporcionalidade. Esses pontos não costumam, por si só, afastar a cassação na jurisprudência atual, mas reforçam a discussão sobre proporcionalidade no caso concreto.

Então não adianta se defender?

Adianta muito. Mesmo sendo constitucional, a cassação exige processo válido: a defesa pode atacar a prescrição, as nulidades, a falta de prova da infração grave e a desproporcionalidade. Cada um desses pontos pode reverter ou afastar a penalidade.

A cassação cabe para qualquer falta do aposentado?

Não. Pela Lei 8.112/90 (art. 134), a cassação só alcança a aposentadoria quando o servidor, ainda na ativa, praticou falta que seria punível com demissão. Faltas que não chegariam à demissão não autorizam a cassação — por isso, discutir o enquadramento (se a conduta era mesmo demissível) é uma tese central de defesa.

Perco as contribuições que paguei a vida toda?

Essa é a maior angústia de quem enfrenta a cassação, e o efeito sobre o que foi contribuído depende da situação previdenciária concreta e da legislação aplicável — não é algo que se resolva no PAD em si. Por envolver direito previdenciário, é um ponto a avaliar especificamente no seu caso, em paralelo à defesa no processo disciplinar.

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Dr. Wesley Fantini

Conteúdo informativo do Fantini Sociedade Individual de Advocacia (OAB/GO 972) — defesa de servidores públicos. Titular: Dr. Wesley Fantini de Abreu (OAB/GO 21.846). Sobre o escritório.

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