Defesa

Servidor pode ser punido por uma opinião ou parecer técnico?


5 min de leitura · Dr. Wesley Fantini

Revisado por Dr. Wesley Fantini (OAB/GO 21.846) · 15/06/2026

Divergência técnica de boa-fé não é infração. O servidor que emite parecer, laudo ou opinião técnica só responde pessoalmente em caso de dolo ou erro grosseiro — é o que estabelece a LINDB (Lei 13.655/2018, art. 28). Errar dentro do que era razoável na época da decisão, sem má-fé nem grosseria, não justifica punição.

Servidores que emitem pareceres, laudos e opiniões técnicas (engenheiros, contadores, analistas, médicos, fiscais) às vezes são responsabilizados quando a sua avaliação dá errado ou desagrada. A regra que protege você é clara: divergência técnica de boa-fé não é infração — a responsabilização exige dolo ou erro grosseiro.

A regra: opinião técnica de boa-fé é protegida

Emitir uma opinião profissional fundamentada faz parte do trabalho — e divergir é legítimo. Punir o servidor só porque o seu parecer foi contrário ao de outro, ou porque a decisão depois se mostrou inconveniente, ignora a natureza da atividade técnica.

A LINDB (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro), reforçada pela Lei 13.655/2018, consagrou que o agente público responde por suas decisões e opiniões técnicas em caso de dolo ou erro grosseiro — protegendo a atuação de boa-fé.

Está sendo responsabilizado por uma opinião técnica? A LINDB protege a boa-fé — avalie a sua situação no Mapa do seu PAD.

Quando há responsabilidade

A responsabilização tende a caber quando há:

  • dolo (intenção de fraudar, parecer deliberadamente falso);
  • erro grosseiro (descuido evidente, contrário à norma e aos fatos óbvios);
  • má-fé comprovada.

A divergência razoável de entendimento — duas interpretações defensáveis — não é isso.

Em regra não responsabilizaPode responsabilizar
Divergência técnica de boa-féDolo (parecer deliberadamente falso)
Interpretação razoável depois superadaErro grosseiro (descuido evidente, contra norma e fatos óbvios)
Opinião contrária à da chefia, mas fundamentadaMá-fé comprovada

E, mesmo havendo infração disciplinar, a penalidade tem de ser proporcional e motivada (Lei 8.112/90, art. 128). Há ainda prazo para punir: na esfera federal, a pretensão punitiva prescreve — em regra 5 anos (demissão), 2 anos (suspensão) ou 180 dias (advertência), contados de quando o fato se tornou conhecido (Lei 8.112/90, art. 142).

Onde fica a linha do "erro grosseiro"

O ponto que decide muitos casos é entender que erro grosseiro não é qualquer erro. A regulamentação da LINDB (Decreto 9.830/2019) trabalha a ideia de erro manifesto, evidente e inescusável — algo ligado a culpa grave, e não ao engano de quem agiu com diligência razoável diante das informações que tinha na época.

Na prática, a fronteira costuma ser esta:

  • fora do erro grosseiro: uma interpretação defensável que depois foi superada; uma escolha técnica razoável entre opções legítimas; um engano cometido apesar de cuidado adequado;
  • dentro do erro grosseiro: ignorar de forma evidente a norma e os fatos óbvios; decidir sem a diligência mínima que se esperava; um descuido grave que qualquer profissional atento teria evitado.

Por isso, ao se defender, vale reconstruir o contexto da época: que informações você tinha, que normas estavam em vigor, que entendimento era razoável então. A LINDB manda olhar a decisão pelo que se sabia no momento em que foi tomada — não com o benefício de quem já conhece o desfecho.

Um reforço importante: se você seguiu um parecer, uma orientação de órgão de assessoramento ou o entendimento então vigente, isso costuma sustentar a sua boa-fé. Guarde esses documentos — eles ajudam a afastar dolo e erro grosseiro.

Onde mora a defesa

  • a acusação confunde erro grosseiro/dolo com divergência técnica?
  • o parecer era fundamentado e de boa-fé?
  • havia interpretação razoável que sustentava a sua opinião?
  • a responsabilização respeita a LINDB (dolo/erro grosseiro)?

Punir opinião técnica de boa-fé desestimula o bom serviço — e é juridicamente frágil.

A 8.112/90 rege o PAD; a LINDB baliza a responsabilização do agente. Confirme o seu caso. Veja dolo e culpa no PAD.

O que fazer

Se você é responsabilizado por um parecer ou opinião, mostre a fundamentação, a boa-fé e a razoabilidade da sua posição — e invoque a proteção da LINDB. Veja o guia completo do PAD.

Foi punido por uma opinião técnica? Avalie no Mapa do seu PAD.

Perguntas frequentes

Posso ser punido por um parecer técnico que a chefia discordou?

Em regra, não. Divergência técnica de boa-fé é legítima e faz parte do trabalho. Punir um servidor só porque sua opinião profissional foi contrária à de outro, sem erro grosseiro nem má-fé, é questionável e atacável.

Quando uma opinião técnica pode gerar responsabilidade?

Quando há erro grosseiro, má-fé ou dolo — por exemplo, um parecer deliberadamente falso, ou uma conduta que ignora de forma evidente a norma e os fatos. A simples divergência razoável de entendimento não basta.

A nova lei mudou isso?

A LINDB (com a Lei 13.655/2018) reforçou que o agente público responde por decisões/opiniões em caso de DOLO ou ERRO GROSSEIRO — protegendo a atuação técnica de boa-fé. Confirme a aplicação ao seu caso.

O que conta como erro grosseiro?

Não é qualquer erro. A ideia, reforçada pela regulamentação da LINDB (Decreto 9.830/2019), é a de erro manifesto, evidente e inescusável — ligado a culpa grave, não ao simples engano de quem agiu com diligência razoável. Errar dentro do que era defensável na época não é erro grosseiro.

E se eu segui um parecer ou orientação superior?

Isso costuma reforçar a sua boa-fé. Ter agido conforme parecer técnico, orientação de órgão de assessoramento ou entendimento então vigente mostra diligência — e ajuda a afastar a tese de dolo ou erro grosseiro. Guarde esses documentos.

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Dr. Wesley Fantini

Conteúdo informativo do Fantini Sociedade Individual de Advocacia (OAB/GO 972) — defesa de servidores públicos. Titular: Dr. Wesley Fantini de Abreu (OAB/GO 21.846). Sobre o escritório.

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